{"id":11646,"date":"2006-05-13T06:30:00","date_gmt":"2006-05-13T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/?p=11646"},"modified":"2014-08-15T16:28:20","modified_gmt":"2014-08-15T19:28:20","slug":"ser-discipulo-de-jesus-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/pregacoes\/ser-discipulo-de-jesus-cristo\/","title":{"rendered":"Ser disc\u00edpulo de Jesus Cristo"},"content":{"rendered":"<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s! Fui escolhido pelo Conselho Permanente para pregar este retiro. Muitos outros estariam igualmente ou at\u00e9 melhor habilitados a faz\u00ea-lo. Estou tranq\u00fcilamente convencido disso. Mas aceitei, em esp\u00edrito de servi\u00e7o, mesmo tendo sempre a agenda muito lotada com tantos compromissos pastorais, o que me exigiu um esfor\u00e7o especial para preparar as palestras e homilias. Contudo, estou consciente que o pregador apenas ajuda. Quem faz o retiro s\u00e3o os pr\u00f3prios retirantes, iluminados pelo Esp\u00edrito Santo. Contudo, essa ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso que a pe\u00e7amos ao Esp\u00edrito Santo, a Ele que renova todas as coisas, que renova tamb\u00e9m a n\u00f3s, se o acolhermos e o deixarmos agir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cancaonova.com\/portal\/canais\/eventos\/novoeventos\/fotos\/cnbb2006\/retiro_c.jpg\"><br \/>\n<b>\u00c9 preciso orar e pedir, com humildade e insist\u00eancia, que o Esp\u00edrito Santo seja derramado em nosso cora\u00e7\u00e3o, com novo vigor e un\u00e7\u00e3o.<\/b> Ao falar da un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, estamos falando da un\u00e7\u00e3o espiritual pela qual, ao sermos escolhidos por Jesus Cristo para nossa miss\u00e3o na Igreja e no mundo, o Esp\u00edrito Santo nos \u00e9 dado e Ele nos qualifica para esta miss\u00e3o, nos santifica, nos inspira e acompanha na miss\u00e3o. Pe\u00e7amos, portanto, este novo vigor do Esp\u00edrito, uma renovada un\u00e7\u00e3o para sermos pastores dedicados de Jesus Cristo, hoje. Ao mesmo tempo, pe\u00e7o a Deus que aben\u00e7oe este retiro e o fa\u00e7a frutificar. Sim; que Ele aben\u00e7oe. B\u00ean\u00e7\u00e3o vem da palavra \\&#8221;bendizer\\&#8221;, dizer uma boa palavra. Pe\u00e7o a Deus que diga essa boa palavra sobre todos os retirantes. Quando Ele a diz, ela se realiza.<\/p>\n<p>Para este retiro o Conselho Permanente indicou o seguinte tema: <b>\\&#8221;Bispo, disc\u00edpulo e mission\u00e1rio de Jesus Cristo\\&#8221;.<\/b> Remete-nos assim ao tema da 5a. Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, no pr\u00f3ximo ano em Aparecida, tema indicado pelo papa Bento XVI, isto \u00e9: <i>\\&#8221;Disc\u00edpulos e mission\u00e1rios de Jesus Cristo, para que nossos povos n\u0092Ele tenham vida. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida<\/i>(Jo 14,6)\\&#8221;. <\/p>\n<p>Vou iniciar o tema, fixando-me sobre o ser disc\u00edpulo de Jesus. Nos Evangelhos encontramos os primeiros disc\u00edpulos de Jesus. Por isso, \u00e9  necess\u00e1rio abrir os Evangelhos, antes de mais nada. O texto de Mateus 5, 1-10, que acabamos de ouvir, nos apresenta Jesus e seus disc\u00edpulos no Serm\u00e3o da Montanha. N\u00e3o vou fazer a exegese do texto, nem trazer novidades teol\u00f3gicas. Quero apenas que iniciemos nossa medita\u00e7\u00e3o inserindo-nos nesta cena do Serm\u00e3o da Montanha.<\/p>\n<p>Diz o texto de Mateus: <i>\\&#8221;Vendo Jesus as multid\u00f5es, subiu \u00e0 montanha. Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus disc\u00edpulos. E p\u00f4s-se a falar e os ensinava, dizendo: \\&#8217;Felizes os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us\\&#8217;\\&#8221;<\/i> (5,1-3). O fato ocorreu bastante no in\u00edcio da vida p\u00fablica de Jesus. J\u00e1, estavam sendo, ent\u00e3o, espelhadas rapidamente not\u00edcias em toda a regi\u00e3o de Cafarnaum, e nos arredores, not\u00edcias sobre um novo profeta, chamado Jesus, de Nazar\u00e9, que viera morar na regi\u00e3o e pregava coisas maravilhosas sobre Deus e fazia grandes milagres.<b> Ele j\u00e1 havia conquistado um grupo de disc\u00edpulos, que o seguiam por toda parte.<\/b><\/p>\n<p> A partir destas not\u00edcias, o povo come\u00e7ou  a acorrer em multid\u00f5es para ouvir Jesus e pedir-lhe a cura de suas doen\u00e7as. Ele atendia a todos com grande carinho e aten\u00e7\u00e3o. O povo estava maravilhado e come\u00e7ava a sonhar sobre as sempre renovadas promessas b\u00edblicas de um Messias, que seria enviado por Deus para libert\u00e1-los de seus males e iniciar um novo reino, o Reino de Deus.<\/p>\n<p>Foi provavelmente neste clima que se desenrolou a cena do Serm\u00e3o da Montanha. Estava ali Jesus, o Mestre, o Profeta, tendo ao seu redor os disc\u00edpulos e toda a multid\u00e3o de povo que se reunira para ouvi-lo. Jesus sentou-se. Todos sentaram-se ao redor. Ele come\u00e7ou a falar. Todos escutavam atentos e com grande esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cancaonova.com\/portal\/canais\/eventos\/novoeventos\/fotos\/cnbb2006\/retiro_r1.jpg\" align=\"right\">Eis a atitude fundamental do disc\u00edpulo: OUVIR. Sentar-se diante do Mestre e ouvir, como que extasiado. Ouvir de cora\u00e7\u00e3o aberto. Sem barreiras, deixar-se invadir pelas palavras do Mestre. Ali, Ele, o Mestre clamava para que todos pudessem escutar: \u0093Felizes os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us. Felizes os mansos, porque possuir\u00e3o a terra. Felizes os aflitos, porque ser\u00e3o consolados. Felizes os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o saciados\u0094, e assim por diante. Todos estavam com os olhos fixos em Jesus e bebiam cada palavra que saia de sua boca. Deixavam-se encantar. No final do grande Serm\u00e3o da Montanha, o Evangelho de Mateus comenta e diz:<i> \\&#8221;Aconteceu que ao terminar Jesus essas palavras, as multid\u00f5es ficaram extasiadas com o seu ensinamento, porque as ensinava com autoridade e n\u00e3o como os seus escribas\\&#8221;<\/i>(Mt 7,28-29). <\/p>\n<p>Tomemos um outro exemplo do Evangelho: Maria de Bet\u00e2nia, irm\u00e3 de Marta e de L\u00e1zaro. Diz o Evangelho de Jo\u00e3o:<i> \\&#8221;Jesus amava Marta e sua irm\u00e3 e L\u00e1zaro\\&#8221;<\/i>(11,5). Eles moravam no povoado de Bet\u00e2nia. Mais vezes Jesus ali se hospedou. O Evangelho de Lucas conta: \\&#8221;Estando em viagem, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, chamada Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irm\u00e3, chamada Maria, ficou sentada aos p\u00e9s do Senhor, escutando-lhe a palavra. Marta estava ocupada pelo muito servi\u00e7o. Parando, por fim, disse: \\&#8217;Senhor, a ti n\u00e3o importa que minha irm\u00e3 me deixe sozinha a fazer o servi\u00e7o? Dize-lhe, pois, que me ajude\\&#8217;. O Senhor, por\u00e9m, respondeu: \\&#8217;Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa \u00e9 necess\u00e1ria, at\u00e9 mesmo uma s\u00f3. Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada\\&#8221; (Lc 10,38-42).<\/p>\n<p>Maria de Bet\u00e2nia \u00e9 exemplo de uma verdadeira disc\u00edpula. Ela senta diante do Mestre e o escuta. Deixa-se envolver por sua palavra. Nada a distrai deste momento extraordin\u00e1rio de intimidade com o Senhor. Jesus n\u00e3o reprova Marta, porque se ocupa dos servi\u00e7os da casa, mas recorda-lhe que existe algo maior, mais importante, mais necess\u00e1rio, que tem prioridade. Uma s\u00f3 coisa \u00e9 necess\u00e1ria, diz Jesus. O resto \u00e9 secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>Essa \u00fanica coisa necess\u00e1ria \u00e9 tornar-se seu disc\u00edpulo, ouvir sua palavra, que \u00e9 a Palavra do Pai, para ent\u00e3o segui-lo no seu amor \u00e0 humanidade<\/b>, amor que o levou em especial aos pobres e o fez dar sua vida na cruz para n\u00e3o perder ningu\u00e9m. Essa \u00e9 a \u00fanica coisa necess\u00e1ria, que Maria estava iniciando a aprender e a viver, sentada aos p\u00e9s do Mestre e deixando-se envolver pessoalmente com Ele e com sua miss\u00e3o. Ela num outro momento iria derramar perfume sobre os p\u00e9s de Jesus, preparando-o, segundo a pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o de Jesus, para sua morte e sepultura no sacrif\u00edcio supremo, a que o levou seu amor por n\u00f3s (cf. Jo 12,1-11 e Mt 26,6-13).<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m somos disc\u00edpulos de Jesus, desde o nosso batismo. Fomos levados, como crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas \u00e0 pia batismal. Ali nos tornamos filhos de Deus e disc\u00edpulos de Cristo. Come\u00e7amos a ouvir falar dele, nos joelhos de nossos pais. Num daqueles dias da nossa primeira inf\u00e2ncia, nossa m\u00e3e ou nosso pai nos mostrou o crucifixo da casa e nos disse: \\&#8221;Este \u00e9 Jesus\\&#8221;. Foi um momento extraordin\u00e1rio em que pela primeira vez fomos apresentados pessoalmente a Ele. Com certeza, n\u00e3o nos lembramos mais deste momento, porque \u00e9ramos muito crian\u00e7a. Mas sem d\u00favida ele nos marcou. Aos poucos fomos ouvindo mais sobre Jesus em nossa vida familiar e compreendendo mais sobre Ele. Na fam\u00edlia aprendemos as primeiras ora\u00e7\u00f5es, em que se iniciava um primeiro contato de di\u00e1logo com ele.  \u00c9ramos levados \u00e0 igreja para a Missa e outras devo\u00e7\u00f5es. Um pouco mais crescidos, ent\u00e3o fomos \u00e0 catequese. Ali aprendemos muito mais sobre Jesus. Foi excelente. Mais tarde entramos no semin\u00e1rio e enfim cursamos a Escola de Teologia para nos preparar ao sacerd\u00f3cio. Foi certamente um discipulado longo e aprimorado, que todos lembramos com gratid\u00e3o e que n\u00e3o encerramos ali, mas continuamos pela vida afora, agora como bispos e mestres da f\u00e9 para o povo de Deus.<\/p>\n<p>Mas em todos estes anos de catequese e de estudo da teologia duas atitudes em rela\u00e7\u00e3o a Jesus nos acompanharam: uma, a de<b> ter mais conhecimentos sobre Jesus e sua doutrina e descobrirmos a racionalidade da nossa f\u00e9.<\/b> A outra, a de nos relacionarmos pessoalmente com Ele. A primeira era mais a atitude de um aluno que busca conhecimentos e racionalidade, guiado por professores ou por pesquisa pr\u00f3pria. A segunda \u00e9 mais a atitude de um disc\u00edpulo de Jesus, que busca aprofundar seu relacionamento pessoal e vivencial com Ele como Mestre. Certamente, uma atitude alimentava a outra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cancaonova.com\/portal\/canais\/eventos\/novoeventos\/fotos\/cnbb2006\/retiro_cp1.jpg\">Contudo, n\u00e3o podemos esquecer que fomos educados imersos na cultura moderna, que s\u00f3 aos poucos foi transformando-se na atual cultura p\u00f3s-moderna. Na cultura moderna predominou o iluminismo racionalista. Era importante adquirir conhecimentos sempre mais amplos e mais profundos. No caso, ter conhecimentos sobre Jesus e sua doutrina e poder mostrar sua racionalidade. Isso \u00e9 poss\u00edvel e at\u00e9 necess\u00e1rio, principalmente para quem vai ser mestre da f\u00e9 na Igreja. Com efeito, o que a f\u00e9 acolhe no seu crer n\u00e3o est\u00e1 fechado \u00e0 raz\u00e3o, mas em si est\u00e1 aberto, \u00e9 dado \u00e0 raz\u00e3o, pois, esta, no pr\u00f3prio ato de crer, j\u00e1 est\u00e1 realizando uma forma peculiar de conhecimento. O ap\u00f3stolo Paulo diz que a vida guiada pela f\u00e9 \u00e9 \\&#8221;um culto racional\\&#8221; a Deus (\\&#8221;rationabile obsequium\\&#8221;), santo e agrad\u00e1vel a Deus (cf. Rm 12,1). F\u00e9 e raz\u00e3o n\u00e3o se contradizem.<\/p>\n<p>O saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II escreveu mesmo uma enc\u00edclica, a Fides et Ratio (FR), sobre as rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e raz\u00e3o. Ele a inicia, dizendo: \u0093A f\u00e9 e a raz\u00e3o constituem como que as duas asas pelas quais o esp\u00edrito humano se eleva para a contempla\u00e7\u00e3o da verdade. Foi Deus quem colocou no cora\u00e7\u00e3o do homem o desejo de conhecer a verdade e, em \u00faltima an\u00e1lise, de conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar tamb\u00e9m \u00e0 verdade plena sobre si pr\u00f3prio\u0094 (FR, in\u00edcio).  Mais adiante, ele diz: \u0093A Verdade divina (&#8230;) goza de uma inteligibilidade pr\u00f3pria, logicamente t\u00e3o coerente que se deve propor como um aut\u00eantico saber\u0094(FR,66). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade que nos deve guiar ao fim \u00faltimo de nossa exist\u00eancia, Jo\u00e3o Paulo II diz: \u0093O fim \u00faltimo da exist\u00eancia pessoal \u00e9 objeto de estudo quer da filosofia, quer da teologia. Embora com meios e conte\u00fados diversos, ambas apontam para aquele \\&#8221;caminho da vida\\&#8221; (Sal 16\/15,11) que, segundo nos diz a f\u00e9, tem o seu termo \u00faltimo de chegada na alegria plena e duradoura da contempla\u00e7\u00e3o de Deus Uno e Trino\\&#8221; (FR,15). <\/p>\n<p>Contudo, ter conhecimentos sobre Jesus Cristo ainda n\u00e3o significa necessariamente ter f\u00e9 nele e ser seu disc\u00edpulo. Da\u00ed porque, nem sempre o estudo da catequese e da teologia significam vida crist\u00e3 mais profunda e coerente. Por outro lado, podem ser um alimento s\u00f3lido para uma vida crist\u00e3. Para tanto, n\u00e3o devemos ser apenas alunos que estudam e aprendem sobre Jesus Cristo e sua doutrina, mas devemos tornar-nos disc\u00edpulos dele.<\/p>\n<p>O ser disc\u00edpulo necessariamente inclui o conhecimento de Jesus Cristo. Um conhecimento vivencial, assim como conhe\u00e7o tal ou tal pessoa e na conviv\u00eancia vou conhecendo-a mais como pessoa e suas id\u00e9ias, projetos e modo de entender a vida. Este conhecimento do disc\u00edpulo pode tornar-se maior na catequese e no estudo da teologia. Portanto, ser disc\u00edpulo de Jesus n\u00e3o contradiz o ser aluno que busca conhecimentos at\u00e9 mesmo teol\u00f3gicos sobre Jesus e sua mensagem. Ao contr\u00e1rio, este conhecimento maior e at\u00e9 mesmo cient\u00edfico pode ajudar o disc\u00edpulo. Mas ser disc\u00edpulo \u00e9 muito mais do que ser estudioso de Jesus. E, ao inverso, para ser disc\u00edpulo de Jesus n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter feito estudos especiais e escolares. At\u00e9 um analfabeto pode ser um grande disc\u00edpulo de Jesus.<\/p>\n<p>Na verdade, ser disc\u00edpulo envolve n\u00e3o apenas nossa intelig\u00eancia, nossa raz\u00e3o, nosso conhecimento, mas envolve nossa pessoa toda. A\u00ed reside uma das grandes diferen\u00e7as entre ser disc\u00edpulo ou ser apenas aluno, estudioso, conhecedor.<\/p>\n<p>Procuremos, ent\u00e3o neste retiro, reavivar em n\u00f3s o ser disc\u00edpulo de Jesus. Isso significa sentar-se diante dele e ouvi-lo. Deixar-se encantar por ele. Abrir-se e deixar-se invadir por Ele. Ouvi-lo como se fosse a primeira vez que temos a felicidade de estar com Ele e ouvi-lo. Deixar que o estupor e o assombro pela pessoa dele, suas palavras e atitudes inundem nosso cora\u00e7\u00e3o. Deixar-se envolver de novo pessoalmente com Ele e com seu projeto de salva\u00e7\u00e3o do mundo. Isso significar\u00e1 que, ouvindo a Ele, <b>teremos que ouvir tamb\u00e9m com Ele a realidade humana que Ele veio renovar e salvar,<\/b> os seres humanos e todos os seus dramas, sofrimentos, esperan\u00e7as e aspira\u00e7\u00f5es. Mas sobre isto quero lhes falar mais longamente amanh\u00e3. Hoje, inspirando-nos na atitude dos disc\u00edpulos sentados ao redor do Mestre no Serm\u00e3o da Montanha e de Maria em Bet\u00e2nia, procuremos abrir o Evangelho e sentar-nos com toda disponibilidade de cora\u00e7\u00e3o diante de Jesus Cristo para ouvi-lo e por Ele nos sentir acolhidos e amados. Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s! Fui escolhido pelo Conselho Permanente para pregar este retiro. Muitos outros estariam igualmente ou at\u00e9 melhor habilitados a faz\u00ea-lo. Estou tranq\u00fcilamente convencido disso. 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