{"id":11657,"date":"2006-05-13T11:30:00","date_gmt":"2006-05-13T14:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/?p=11657"},"modified":"2014-08-15T16:28:33","modified_gmt":"2014-08-15T19:28:33","slug":"do-discipulo-nasce-o-missionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/pregacoes\/do-discipulo-nasce-o-missionario\/","title":{"rendered":"Do disc\u00edpulo nasce o mission\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cancaonova.com\/portal\/canais\/eventos\/novoeventos\/fotos\/cnbb2006\/retiro_cp3.jpg\">Jesus Cristo chama e forma seus seguidores, seus disc\u00edpulos. \\&#8221;Vinde e Vede\\&#8221;, ele disse aos dois disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista que o procuraram, estimulados pelo pr\u00f3prio Batista. Jesus se encontra por algumas horas e os transforma em seus disc\u00edpulos. Deste encontro eles saem entusiasmados com o que viram, ouviram e experimentaram. Esta experi\u00eancia intensa os impele a ir contar a outros o que viveram e assim procuram levar a esses por sua vez a Jesus para que eles tamb\u00e9m possam conhec\u00ea-lo, sentirem-se amados, descobrirem que ele \u00e9 o verdadeiro Messias prometido ao mundo e seu projeto. Ou seja,<b> o disc\u00edpulo, pela intensidade da experi\u00eancia feita com Cristo e pela ades\u00e3o forte a ele que disso resultou, transforma-se em mission\u00e1rio, em testemunha de Jesus, mission\u00e1rio que vai em busca de outros<\/b> e os conduz a Jesus Cristo. O mission\u00e1rio \u00e9 isto desde o tempo de Jesus e ainda hoje esta \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja e de todo seguidor(a) de Jesus: ir em busca das pessoas, das comunidades, dos povos, da humanidade inteira e conduzi-los a Jesus Cristo para que este os transforme e os salve. De fato, o verdadeiro disc\u00edpulo transforma-se em mission\u00e1rio permanente e ardoroso. Quanto mais intensamente ele \u00e9 disc\u00edpulo, mais ardoroso mission\u00e1rio \u00e9. <\/p>\n<p>Na medida em que Jesus foi encontrando e formando mais e mais disc\u00edpulos, ele os re\u00fane em comunidade ao seu redor e prossegue na sua transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na dimens\u00e3o comunit\u00e1ria. Jesus quer uma comunidade, um povo, que ser\u00e1 sua Igreja, uma Igreja de disc\u00edpulos de Cristo.. Durante seus tr\u00eas anos de vida p\u00fablica ele mant\u00e9m seus disc\u00edpulos junto a si e os vai transformando, ao mesmo tempo em que aos poucos os vai em miss\u00e3o, para, finalmente, no momento de voltar ao Pai, ap\u00f3s sua ressurrei\u00e7\u00e3o, Ele os envia definitivamente em miss\u00e3o: \\&#8221;Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Fazei que todas as na\u00e7\u00f5es se tornem disc\u00edpulos\\&#8221;(cf. Mc 16,15 e Mt 28,19).<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 a Igreja que vai em miss\u00e3o e cada mission\u00e1rio far\u00e1 sua miss\u00e3o em comunh\u00e3o com a Igreja. De fato, Jesus, desde o in\u00edcio de sua vida p\u00fablica, mostra que seu projeto \u00e9 reunir os filhos de Deus dispersos e reuni-los como comunidade e povo de Deus. Esse povo ter\u00e1 como lei o amor, o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. \\&#8221;Nisto reconhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos, se vos amardes uns aos outros\\&#8221; (Jo 13,35). <b>\u00c9 na comunidade de Jesus que seus disc\u00edpulos<\/b>, em especial o grupo do Doze, inicia e vive este projeto. Assim como o pr\u00f3prio Deus \u00e9 uma comunidade divina de tr\u00eas Pessoas que se amam infinitamente e nisto consiste seus ser, sua vida e sua felicidade, assim tamb\u00e9m a humanidade toda dever\u00e1 constituir-se num grande povo que vive o amor m\u00fatuo no horizonte de seu amor a Deus, \u00e0 luz de sua comunh\u00e3o com Deus. <\/p>\n<p>A comunidade que Jesus fundara, essa comunidade de seus disc\u00edpulos, ap\u00f3s a volta de Jesus ao Pai, por sua vez faz novos disc\u00edpulos e, por sua vez, os re\u00fane em novas comunidades. Assim se desenvolve a Igreja nascente: um povo de comunidades e um mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. Esta Igreja nascente foi profundamente mission\u00e1ria, atendendo ao mandato mission\u00e1rio de Jesus no momento em que Ele voltou ao Pai.<b> Ora, este mandato atravessa os tempos e chega at\u00e9 n\u00f3s. <\/b>Somos n\u00f3s hoje os portadores deste mandato. Este \u00e9 nosso desafio e nossa tarefa, ser mission\u00e1rios hoje. <b>A Igreja \u00e9 mission\u00e1ria primeiro atrav\u00e9s de seus pastores, mas tamb\u00e9m de todos os seus demais membros, guiados e animados por seus pastores.<\/b> Est\u00e1 aqui o nosso desafio atual: at\u00e9 que ponto n\u00f3s, bispos, e nossos padres, somos mission\u00e1rios que sa\u00edmos em busca de quem est\u00e1 longe de Jesus Cristo? At\u00e9 que ponto estamos transformando nossas comunidades em comunidades mission\u00e1rias, chamando leigos e leigas, formando-os para a miss\u00e3o e enviando-os com coragem e \u00e2nimo, dando-lhes tamb\u00e9m uma adequada autonomia de trabalho, pois s\u00e3o adultos na f\u00e9 e receberam o Esp\u00edrito Santo para a miss\u00e3o, nos sacramentos do batismo e da crisma?<\/p>\n<p>Quanto aos destinat\u00e1rios da nossa miss\u00e3o, \u00e9 preciso que sejamos muito concretos e realistas. Na verdade, muitas vezes nos refugiamos num belo discurso sobre a natureza mission\u00e1ria da Igreja ou falamos de miss\u00f5es long\u00ednquas, para as quais enviamos algum mission\u00e1rio, <b>mas nem sempre arrega\u00e7amos as mangas e abrimos os olhos para ver como est\u00e1 o nosso pr\u00f3prio povo, aquele povo que nos foi confiado concretamente, aquele da nossa diocese, das nossas par\u00f3quias, das cidades e campos em nosso territ\u00f3rio, ali aonde fomos enviados para sermos pastores e mission\u00e1rios.<\/b> Como est\u00e1 este povo, que na sua quase totalidade foi batizado por n\u00f3s ou nossos antecessores. Este povo cat\u00f3lico, que foi batizado e por esta raz\u00e3o tem o direito de ser evangelizado por n\u00f3s. \u00c9 claro que ele tem o direito tamb\u00e9m de optar por outra religi\u00e3o, pois a liberdade religiosa e de consci\u00eancia \u00e9 direito sagrado. Mas no dia em que batizamos essas pessoas, assumimos o dever de conduzi-las a Jesus Cristo e reuni-las em comunidade eclesial. Mas agora constatamos que uma grande parcela, geralmente mais da metade, est\u00e1 afastada da pr\u00e1tica religiosa, n\u00e3o participa de nossas comunidades nem foi de verdade evangelizada. Outros por um tempo participaram e se sentiram felizes em sua Igreja de origem, mas depois por diversas raz\u00f5es acabaram se perdendo no meio do caminho e n\u00f3s n\u00e3o fomos buscar a ovelha perdida.<\/p>\n<p>Talvez alguns de n\u00f3s, pastores, ao darem-se conta que s\u00e3o tantos os que se afastaram ou sempre viveram afastados, estejam meio desiludidos da miss\u00e3o, prefiram n\u00e3o enfrentar o problema e se conformem, infelizmente, procurando tal ou qual justificativa. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o! \u00c9 preciso reverter este des\u00e2nimo. Pois, a Igreja \u00e9 essencialmente mission\u00e1ria. N\u00f3s, pastores, somos mission\u00e1rios por voca\u00e7\u00e3o. Sem esquecer que todos os membros de nossas comunidades, os leigos, s\u00e3o chamados a serem mission\u00e1rios, segundo seu estado de vida. Felizmente, muitos deles hoje est\u00e3o pedindo para serem convocados, melhor evangelizados, renovados como disc\u00edpulos, formados e finalmente enviados como mission\u00e1rios. <b>Urge, portanto, estimular a consci\u00eancia e a pr\u00e1tica mission\u00e1rias, em primeiro lugar em nossos pr\u00f3prios e respectivos territ\u00f3rios e comunidades.<\/b> Urge ir em busca dos cat\u00f3licos afastados e de todos que pouco ou nada conhecem de Jesus Cristo. Urge conduzi-los a um encontro pessoal com Jesus Cristo. O bispo \u00e9 e deve ser o grande animador desta Igreja mission\u00e1ria, sendo ele mesmo mission\u00e1rio e estimulando a forma\u00e7\u00e3o e envio de mais e mais mission\u00e1rios, em primeiro lugar no territ\u00f3rio de sua pr\u00f3pria Igreja Particular, sem esquecer da ajuda mission\u00e1ria a outras Igrejas Particulares carentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos deixar de lembrar mais uma vez a grande evas\u00e3o de cat\u00f3licos que vem ocorrendo no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, em geral, sobretudo nas periferias pobres urbanas. Estamos perdendo justamente os pobres, porque n\u00e3o conseguimos chegar adequadamente a eles e evangeliz\u00e1-los. Mas, repito, a maioria deles foram batizados por n\u00f3s e certamente esperaram muito tempo por n\u00f3s, antes de passarem a outras confiss\u00f5es religiosas ou a uma total indiferen\u00e7a religiosa. Neste contexto, o problema dos jovens das periferias pobres tem certamente especial relev\u00e2ncia, porque deles depende o futuro da Igreja na periferia. Desse modo, a miss\u00e3o nas periferias pobres apresenta uma urg\u00eancia especial. Como realizar essa miss\u00e3o na periferia? Certamente, ser\u00e1 necess\u00e1rio conjugar muito bem a evangeliza\u00e7\u00e3o religiosa propriamente dita com a solidariedade, o combate \u00e0 desigualdade, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 fome, numa ampla promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Uma forma de miss\u00e3o eficaz s\u00e3o as visitas domiciliares mission\u00e1rias, em especial no meio dos pobres, mas tamb\u00e9m das outras classes sociais. Essas visitas mission\u00e1rias t\u00eam mostrado sua efic\u00e1cia em muitos lugares em que s\u00e3o bem preparadas e bem conduzidas. Elas conseguem tamb\u00e9m conjugar a evangeliza\u00e7\u00e3o com a solidariedade, a caridade. H\u00e1 metodologias j\u00e1 provadas e at\u00e9 publicadas em livros. Mas cada um pode reinvent\u00e1-las, segundo as caracter\u00edsticas da sua regi\u00e3o e das pessoas a serem visitadas. Fundamentalmente trata-se de preparar bem um grupo de mission\u00e1rios(as) e depois envi\u00e1-los. Ao voltarem das visitas, ser\u00e1 preciso revisar o que foi feito e aprofundar as quest\u00f5es colocadas. Portanto, trata-se de forma\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cancaonova.com\/portal\/canais\/eventos\/novoeventos\/fotos\/cnbb2006\/retiro_r4.jpg\" align=\"right\">Nas pr\u00f3prias visitas, come\u00e7a-se por ouvir as pessoas ou fam\u00edlias visitadas. Elas falar\u00e3o na medida em que tiverem confian\u00e7a nos visitadores. Falar\u00e3o de seus sofrimentos e de suas aspira\u00e7\u00f5es e projetos. A partir da\u00ed os visitadores devem ser capazes de consolar e ent\u00e3o abrir o livro dos Evangelhos para ler algum trecho que leve as pessoas visitadas a ter um contato com Jesus Cristo, sua mensagem, suas atitudes e seu amor. Ser\u00e1 um pequeno encontro com Jesus Cristo.<b> Ser\u00e1 imprescind\u00edvel tamb\u00e9m analisar durante a visita a quest\u00e3o das causas do sofrimento dessas pessoas,<\/b> principalmente se s\u00e3o pobres, saber orient\u00e1-las onde poder\u00e3o receber ajuda e solidariedade e manifestar-lhes que a Igreja quer lutar junto com os pobres para vencer a pobreza. As pessoas devem sentir que Deus as ama e n\u00e3o as quer perder e que a Igreja tamb\u00e9m as ama e quer acolh\u00ea-las e acompanh\u00e1-las. N\u00e3o deixar de rezar junto com as pessoas e finalmente, prometer voltar dentro de algumas semanas ou a qualquer momento em que a pessoa ou a fam\u00edlia visitada precise. Depois, ser\u00e1 preciso cumprir a promessa e realmente voltar e acompanhar a vida de quem foi visitado. <\/p>\n<p>Na medida em que as pessoas visitadas se prontificarem a novamente participar da comunidade, cumpre receb\u00ea-las adequadamente na comunidade, de forma que elas se sintam bem integradas e amadas. Ser\u00e1 importante criar, para essas pessoas, pequenas comunidades de apoio ou encaminh\u00e1-las a outras organiza\u00e7\u00f5es de leigos que as possam apoiar. <b>N\u00e3o esquecer que a par\u00f3quia deve organizar-se para visitar n\u00e3o apenas algumas fam\u00edlias de seu territ\u00f3rio, mas todas.<\/b> Al\u00e9m disso, esta miss\u00e3o nunca tem encerramento. Ser\u00e1 um processo permanente, que dever\u00e1 fazer parte da vida e da din\u00e2mica quotidiana da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar de recordar tamb\u00e9m a quest\u00e3o especial da evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens, vista a sua import\u00e2ncia e porque \u00e9 tema central desta nossa assembl\u00e9ia. Como fazer deles disc\u00edpulos e mission\u00e1rios de Jesus Cristo? Que os jovens s\u00e3o uma prioridade para a Igreja, j\u00e1 se disse muitas vezes. Mas freq\u00fcentemente n\u00e3o passou de um discurso de boa vontade, mas que n\u00e3o teve conseq\u00fc\u00eancia suficiente. <b>Hoje, precisam ser mais analisadas e conhecidas a realidade dos jovens e a import\u00e2ncia de evangeliza-los.<\/b> Isso faz-me lembrar da \\&#8221;Marcha para Jesus\\&#8221;, que \u00e9 promovida por uma das novas Igrejas neo-pentecostais e em S\u00e3o Paulo cada ano consegue reunir centenas de milhares, sen\u00e3o um milh\u00e3o, de jovens e adolescentes. N\u00e3o podemos concordar com toda sua metodologia nem com todos os conte\u00fados de sua prega\u00e7\u00e3o. Mas impressiona o fato que tantos jovens se sentem atra\u00eddos e sempre voltam de novo a esta marcha. N\u00f3s, se temos um pequeno grupo de jovens nas nossas par\u00f3quias j\u00e1 estamos felizes, quando na verdade em cada par\u00f3quia h\u00e1 dezenas de milhares de jovens que foram batizados por n\u00f3s, mas n\u00e3o participam de nossa comunidade. Hoje, gra\u00e7as a Deus, j\u00e1 se procura um trabalho conjunto entre Pastoral da Juventude e Movimentos Eclesiais de Leigos que \u00e0s vezes re\u00fanem milhares de jovens e procuram evangeliz\u00e1-los. Isso mostra que novos caminhos dever\u00e3o ser procurados, sem perder as experi\u00eancias positivas do passado. <\/p>\n<p>Como levar os jovens e adolescentes a ter um encontro forte e pessoal com Jesus Cristo? \u00c9 disso que se trata em primeiro lugar.<b> Os jovens de hoje est\u00e3o famintos de encontros pessoais, que alimentem sua subjetividade e busca de felicidade.<\/b> Jesus Cristo os busca para este encontro, mas espera que n\u00f3s os conduzamos a ele. Recordo de quando o Papa Jo\u00e3o Paulo II, no Jubileu dos Jovens, no ano 2000, em Roma (eu estava l\u00e1), recebeu os mais de dois milh\u00f5es de jovens e clamou alto para a multid\u00e3o que o ouvia atenta e silenciosa: \u0093O que voc\u00eas vieram procurar em Roma?\u0094 E ent\u00e3o, depois de um pequeno sil\u00eancio, clamou e disse: \u0093N\u00e3o \u00e9 isso. O que pergunto \u00e9: a quem voc\u00eas vieram procurar em Roma?\u0094. E ent\u00e3o refletiu com os jovens que eles n\u00e3o vieram a Roma para procurar alguma coisa, algumas id\u00e9ias, um projeto te\u00f3rico ou divers\u00e3o e consumismo. N\u00e3o! Eles vieram procurar n\u00e3o uma coisa, mas algu\u00e9m, a saber, Jesus Cristo e o papa queria conduzi-los a este encontro com Jesus.<\/p>\n<p>Entre as dificuldades que temos de evangelizar os jovens parece estar o fato de n\u00e3o procurarmos saber melhor o que eles desejariam encontrar na Igreja que os convoca. Temos talvez a tenta\u00e7\u00e3o de preparar propostas prontas, sem ouvi-los suficientemente. \u00c0s vezes, parece que n\u00e3o somos bastante atentos ao fato que os jovens buscam na religi\u00e3o em primeiro lugar luz para seus problemas subjetivos, suas aspira\u00e7\u00f5es pessoais e seus questionamentos existenciais. \u00c0s vezes, temos pressa demasiada em torn\u00e1-los militantes de alguma causa social e pol\u00edtica, por mais nobre que esta seja.<\/p>\n<p>Como ent\u00e3o adequar bem estes dois aspectos em nossa abordagem dos jovens. Ambas as coisas s\u00e3o importantes para um verdadeiro disc\u00edpulo de Jesus Cristo, mas o caminho pedag\u00f3gico deve levar em conta a peculiaridade da idade juvenil e de suas car\u00eancias e buscas religiosas. O importante \u00e9 que eles se abram e se deixem conduzir a um encontro forte e pessoal com Jesus Cristo, que se deixem invadir por Jesus Cristo, que se deixem encantar e seduzir por Jesus Cristo, para que ele os possa transformar em disc\u00edpulos prontos a segui-lo, prontos a reunir-se com os demais disc\u00edpulos de Jesus na comunidade dele, uma comunidade de fraternidade e amor, que \u00e9 a Igreja, prontos a segui-lo tamb\u00e9m na obra da constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano, fraterno, justo, solid\u00e1rio com os pobres e pac\u00edfico, constru\u00e7\u00e3o essa que passa tamb\u00e9m necessariamente pela pol\u00edtica. <\/p>\n<p>Mas a nossa miss\u00e3o deve alcan\u00e7ar todas as camadas sociais e todos os ambientes de que se comp\u00f5e a sociedade. Cito as escolas e universidades, os hospitais, as ind\u00fastrias e o com\u00e9rcio, os ambientes culturais e art\u00edsticos, o mundo das comunica\u00e7\u00f5es e da inform\u00e1tica, o mundo dos que fazem a pol\u00edtica e dos que det\u00eam o poder pol\u00edtico, o mundo do mercado e das finan\u00e7as, o mundo dos empres\u00e1rios, dos trabalhadores, da seguran\u00e7a p\u00fablica, do sistema penitenci\u00e1rio e assim por diante. S\u00e3o grandes campos de miss\u00e3o, are\u00f3pagos do mundo moderno, como os chamava Jo\u00e3o Paulo II, na sua enc\u00edclica Redemptoris Missio. Para penetrar com o Evangelho nestes ambientes precisaremos muito de leigos e leigas, que j\u00e1 se tenham convertido em disc\u00edpulos ardorosos de Cristo.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante para a miss\u00e3o \u00e9 o di\u00e1logo. <b>Hoje, talvez mais do que no passado, entendemos que o di\u00e1logo tem import\u00e2ncia vital para o mundo<\/b>. O di\u00e1logo se mostra como grande caminho de supera\u00e7\u00e3o dos conflitos, inclusive religiosos. Contribui tamb\u00e9m para o enriquecimento m\u00fatuo das posi\u00e7\u00f5es dos dialogantes. <\/p>\n<p>A Igreja, por seu lado, tem se empenhado no di\u00e1logo com as outras confiss\u00f5es crist\u00e3s, com o juda\u00edsmo, com as demais grandes religi\u00f5es do mundo, entre as quais hoje se tornou mais vis\u00edvel o islamismo. A Igreja tamb\u00e9m procura dialogar &#8211; e precisa aprofundar muito mais ainda esse di\u00e1logo &#8211; com as ci\u00eancias, especialmente na \u00e1rea das biotecnologias e da bio\u00e9tica, com a cultura em geral, com a sociedade civil, enfim com o mundo.<\/p>\n<p>Mas o di\u00e1logo n\u00e3o torna imposs\u00edvel a miss\u00e3o? N\u00e3o, certamente. Jo\u00e3o Paulo II j\u00e1 respondeu magistralmente esta quest\u00e3o na sua Redemptoris Missio. An\u00fancio e di\u00e1logo n\u00e3o se contrap\u00f5em, n\u00e3o se contradizem. Na verdade, cada um dos dialogantes deve dar sua contribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fados ao di\u00e1logo e este conte\u00fado \u00e9 sempre um an\u00fancio para o parceiro no di\u00e1logo. O an\u00fancio na verdade \u00e9 necess\u00e1rio para o di\u00e1logo, sen\u00e3o o di\u00e1logo se torna um mon\u00f3logo a partir do outro lado. <b>O an\u00fancio tamb\u00e9m enriquece o di\u00e1logo e faz chegar a novos horizontes.<\/b><\/p>\n<p>Finalmente, a miss\u00e3o deve ser inculturada. Esta ser\u00e1 tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o que a 5a. Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho querer\u00e1 dar, ou seja, situar nossa miss\u00e3o na cultura latino-americana e no momento hist\u00f3rico desta cultura, bem como na cultura e no momento hist\u00f3rico do mundo, onde vivemos uma \u00e9poca de constantes mudan\u00e7as culturais e uma nova cultura, a chamada p\u00f3s-moderna, vai se alastrando, ao mesmo tempo em que uma nova ordem econ\u00f4mica mundial, globalizada e de mercados abertos e livres vai se impondo e excluindo centenas de milh\u00f5es de pessoas e pa\u00edses inteiros, como Haiti e diversos pa\u00edses africanos. Essa exclus\u00e3o trouxe desemprego colossal praticamente em todos os pa\u00edses, fez crescer a mis\u00e9ria e a fome, desencadeou terrorismos, guerras e viol\u00eancias de toda ordem. \u00c9 neste mundo de hoje que devemos fazer miss\u00e3o e ser capazes de testemunhar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, testemunhar portanto a vit\u00f3ria de Deus sobre o mal e a morte, a vit\u00f3ria do valor sagrado da vida humana, testemunhar a justi\u00e7a, o direito, o amor, a fraternidade e o perd\u00e3o como for\u00e7as de constru\u00e7\u00e3o da paz e da dignidade humana de todos. \u00c9 neste mundo agitado e din\u00e2mico de hoje que devemos conduzir as pessoas, os grupos, as na\u00e7\u00f5es a um encontro com Cristo, como Ele mesmo nos mandou:<br \/>\n<i>\\&#8221;Ide por todo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura (&#8230;) Fazei que todas as na\u00e7\u00f5es se tornem disc\u00edpulos\\&#8221; (Mc 16,15 e Mt 28,19).<\/i><\/p>\n<p>Meus caros, procuremos neste retiro renovar em n\u00f3s este esp\u00edrito mission\u00e1rio. Se nossa Igreja aqui na Am\u00e9rica Latina e no Brasil n\u00e3o se tornar urgentemente muito mais mission\u00e1ria do que hoje, ela ter\u00e1 grandes problemas no futuro. Ali\u00e1s, Jo\u00e3o Paulo II n\u00e3o se cansava de falar de uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o em todo <b>o mundo e na passagem do mil\u00eanio nos encorajou fortemente, estimulando toda a Igreja e convidando-nos a levar o barco para o alto mar, sem medo e com esperan\u00e7a,<\/b> porque o Senhor Jesus Cristo nos acompanhar\u00e1 na pesca, que ser\u00e1 abundante. \\&#8221;Duc in altum\\&#8221;.<\/p>\n<p>Mas para sermos mission\u00e1rios, devemos ser profundamente disc\u00edpulos e o disc\u00edpulo se forma no encontro pessoal e comunit\u00e1rio com Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus Cristo chama e forma seus seguidores, seus disc\u00edpulos. \\&#8221;Vinde e Vede\\&#8221;, ele disse aos dois disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista que o procuraram, estimulados pelo pr\u00f3prio Batista. Jesus se encontra por algumas horas e os transforma em seus disc\u00edpulos. 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