{"id":12194,"date":"2008-07-17T20:55:00","date_gmt":"2008-07-17T23:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/?p=12194"},"modified":"2014-08-15T16:55:18","modified_gmt":"2014-08-15T19:55:18","slug":"aproximai-vos-do-abraco-amoroso-de-cristo-reconhecei-a-igreja-como-vossa-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/pregacoes\/aproximai-vos-do-abraco-amoroso-de-cristo-reconhecei-a-igreja-como-vossa-casa\/","title":{"rendered":"Aproximai-vos do abra\u00e7o amoroso de Cristo; reconhecei a Igreja como vossa casa"},"content":{"rendered":"<p>Queridos jovens,<\/p>\n<p>  Que grande alegria &eacute; para mim poder saudar-vos aqui em Barangaroo, nas margens desta magn&iacute;fica ba&iacute;a de Sidney, com a sua famosa ponte e a Opera House! Muitos de v&oacute;s s&atilde;o deste pa&iacute;s, do seu interior ou das din&acirc;micas comunidades multiculturais das cidades australianas. Outros chegaram das ilhas disseminadas pela Oceania, outros ainda vieram da &Aacute;sia, do M&eacute;dio Oriente, da &Aacute;frica e das Am&eacute;ricas. Entretanto um certo n&uacute;mero chegou de t&atilde;o longe como eu, ou seja, da Europa! Seja qual for o pa&iacute;s donde vindes, finalmente estamos aqui, em Sidney! E juntos estamos presentes neste nosso mundo como fam&iacute;lia de Deus, como disc&iacute;pulos de Cristo, confirmados pelo seu Esp&iacute;rito para sermos testemunhas do seu amor e da sua verdade diante de todos.<\/p>\n<p> Desejo em primeiro lugar agradecer aos Anci&atilde;os dos Abor&iacute;gines que me deram as boas-vindas antes de eu subir para o barco na Rose Bay. Sinto-me profundamente emocionado por me encontrar na vossa terra, sabendo dos sofrimentos e injusti&ccedil;as que esta suportou, mas ciente tamb&eacute;m da beneficia&ccedil;&atilde;o e esperan&ccedil;a agora em ato, de que justamente todos os cidad&atilde;os australianos podem ser orgulhosos. Aos jovens ind&iacute;genas &ndash; abor&iacute;gines e habitantes das Ilhas do Estreito de Torres &ndash;  e Tokelauanos, exprimo o meu obrigado pelas tocantes boas-vindas. E, atrav&eacute;s de v&oacute;s, envio cordiais sauda&ccedil;&otilde;es aos vossos povos.<\/p>\n<p> Senhor Cardeal Pell e Senhor Arcebispo D. Wilson: agrade&ccedil;o as vossas calorosas express&otilde;es de boas-vindas. Sei que os vossos sentimentos s&atilde;o o eco do quanto vai no cora&ccedil;&atilde;o dos jovens reunidos aqui nesta tarde e, por isso, a todos vos agrade&ccedil;o. Vejo diante de mim uma imagem vibrante da Igreja universal. A variedade de na&ccedil;&otilde;es e culturas donde provindes demonstra que a Boa Nova de Cristo &eacute; verdadeiramente para todos e cada um; ela chegou aos confins da terra. E, no entanto, sei tamb&eacute;m que um bom n&uacute;mero de v&oacute;s ainda anda &agrave; procura duma p&aacute;tria espiritual. Alguns dentre v&oacute;s, sem d&uacute;vida alguma bem-vindos entre n&oacute;s, n&atilde;o s&atilde;o cat&oacute;licos nem crist&atilde;os. Talvez outros de v&oacute;s se movam na periferia da vida da par&oacute;quia e da Igreja. A v&oacute;s desejo oferecer o meu encorajamento: aproximai-vos do abra&ccedil;o amoroso de Cristo; reconhecei a Igreja como vossa casa. Ningu&eacute;m &eacute; obrigado a ficar de fora, porque desde o dia do Pentecostes a Igreja &eacute; una e universal. <\/p>\n<p> Nesta tarde, desejo abarcar tamb&eacute;m quantos n&atilde;o est&atilde;o aqui presentes entre n&oacute;s. Penso de modo especial nos doentes ou nos deficientes ps&iacute;quicos, nos jovens encarcerados, em quantos penam &agrave; margem das nossas sociedades e naqueles que por qualquer raz&atilde;o se sentem alienados da Igreja. A eles digo: Jesus est&aacute; perto de ti! Experimenta o seu abra&ccedil;o que cura, a sua compaix&atilde;o, a sua miseric&oacute;rdia! <\/p>\n<p> H&aacute; quase dois mil anos, os Ap&oacute;stolos, reunidos na sala superior da casa juntamente com Maria (cf. At 1, 14) e algumas mulheres fi&eacute;is, ficaram cheios de Esp&iacute;rito Santo (cf. Act 2, 4). Naquele momento extraordin&aacute;rio que marcou o nascimento da Igreja, a confus&atilde;o e o medo, que se tinham apoderado dos disc&iacute;pulos de Cristo, transformaram-se numa convic&ccedil;&atilde;o vigorosa e na certeza de um objetivo. Sentiram-se impelidos a falar do seu encontro com Jesus ressuscitado, que afetuosamente j&aacute; tratavam por Senhor. Na sua diversidade, os Ap&oacute;stolos eram pessoas comuns. Nenhum podia afirmar que fosse o disc&iacute;pulo perfeito. N&atilde;o tinham conseguido reconhecer Cristo (cf. Lc 24, 13-32), deveriam envergonhar-se da sua ambi&ccedil;&atilde;o (cf. Lc 22, 24-27), tinham-No at&eacute; negado (cf. Lc 22, 54-62). E todavia, quando ficaram cheios de Esp&iacute;rito Santo, sentiram-se trespassados pela verdade do Evangelho de Cristo e inspirados a proclam&aacute;-lo sem medo. Revigorados, gritaram: Arrependei-vos, fazei-vos batizar, recebei o Esp&iacute;rito Santo (cf. At 2, 37-38)! Fundada sobre o ensino dos Ap&oacute;stolos, a uni&atilde;o fraterna, a fra&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o e a ora&ccedil;&atilde;o (cf. At 2, 42), a jovem comunidade crist&atilde; saiu a terreiro para se opor &agrave; perversidade da cultura que a rodeava (cf. At 2, 40), para cuidar dos seus pr&oacute;prios membros (cf. At 2, 44-47), para defender a sua f&eacute; em Jesus que era hostilizada (cf. At 4, 33) e para curar os doentes (cf. At 5, 12-16). E, dando cumprimento ao mandato recebido do pr&oacute;prio Cristo, partiram testemunhando a maior hist&oacute;ria de todos os tempos: que Deus Se fez um de n&oacute;s, que o divino entrou na hist&oacute;ria humana para poder transform&aacute;-la e que somos chamados a mergulhar no amor salv&iacute;fico de Cristo que triunfa do mal e da morte. No famoso discurso feito no are&oacute;pago, S&atilde;o Paulo introduziu a mensagem assim: Deus a todos d&aacute; a vida, a respira&ccedil;&atilde;o e tudo o mais, para que todas as Na&ccedil;&otilde;es procurem a Deus e se esforcem por encontr&aacute;-Lo, mesmo tateando, embora n&atilde;o Se encontre longe de cada um de n&oacute;s, porque &eacute; n&rsquo;Ele que vivemos, nos movemos e existimos (cf. At 17, 25-28).<\/p>\n<p> A partir de ent&atilde;o, homens e mulheres partiram para contar a mesma hist&oacute;ria, testemunhando o amor e a verdade de Cristo e contribuindo para a miss&atilde;o da Igreja. Ao nosso pensamento v&ecirc;m hoje os pioneiros &ndash; sacerdotes, freiras e frades &ndash; que chegaram a estas praias e a outras partes do Pac&iacute;fico, vindos da Irlanda, da Fran&ccedil;a, da Gr&atilde; Bretanha e de outros lados da Europa. A maior parte deles eram jovens &ndash; alguns n&atilde;o tinham sequer vinte anos &ndash; e, quando se despediram para sempre dos pais, dos irm&atilde;os, das irm&atilde;s, dos amigos, bem sabiam que seria improv&aacute;vel o seu regresso a casa. As suas vidas foram um testemunho crist&atilde;o livre de interesses ego&iacute;stas. Tornaram-se construtores humildes mas tenazes duma heran&ccedil;a social e espiritual t&atilde;o grande que ainda hoje proporciona bondade, compaix&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o a estas na&ccedil;&otilde;es. E foram capazes de inspirar uma gera&ccedil;&atilde;o nova. Vem &agrave; mente imediatamente a f&eacute; que sustentou a Beata Mary MacKillop na sua resoluta determina&ccedil;&atilde;o de educar especialmente os pobres, e o Beato Peter To Rot na sua firme convic&ccedil;&atilde;o de que o chefe duma comunidade deve pautar-se sempre pelo Evangelho. Pensai ainda nos vossos av&oacute;s e nos vossos pais, os vossos primeiros mestres na f&eacute;. Tamb&eacute;m eles sacrificaram muito do seu tempo e das suas for&ccedil;as, movidos pelo amor que vos t&ecirc;m. Com o apoio dos sacerdotes e catequistas da vossa par&oacute;quia, eles t&ecirc;m o dever, nem sempre f&aacute;cil mas altamente gratificante, de vos guiar para tudo o que &eacute; bom e verdadeiro, atrav&eacute;s do seu exemplo pessoal, do seu modo de ensinar e viver a f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p> Hoje &eacute; a minha vez. A alguns de n&oacute;s, pode parecer que chegamos ao fim do mundo! Para as pessoas da vossa idade, qualquer v&ocirc;o reveste-se sempre de uma perspectiva excitante. Mas, para mim, este v&ocirc;o foi em certa medida causa de apreens&atilde;o. E todavia a vista do alto sobre o nosso planeta foi verdadeiramente magn&iacute;fica. As &aacute;guas tremeluzentes do Mediterr&acirc;neo, a magnific&ecirc;ncia do deserto norte-africano, a floresta luxuriante da &Aacute;sia, a vastid&atilde;o do Oceano Pac&iacute;fico, o horizonte onde o sol se levanta e desce, o majestoso esplendor da beleza natural da Austr&aacute;lia de que pude gozar nos &uacute;ltimos dois dias; tudo isto gera um profundo sentido de reverente temor. &Eacute; como se se captassem r&aacute;pidas imagens da hist&oacute;ria da cria&ccedil;&atilde;o narrada no G&ecirc;nesis: a luz e as trevas, o sol e a lua, as &aacute;guas, a terra e as criaturas vivas. Tudo isto &eacute; &laquo;bom&raquo; aos olhos de Deus (cf. Gen 1, 1 &ndash; 2, 4). Imersos em tal beleza, era imposs&iacute;vel n&atilde;o dar voz &agrave;s palavras do Salmista que assim louva o Criador: &laquo;Como &eacute; grande o vosso nome em toda a terra!&raquo; (Sal 8, 2).<\/p>\n<p> Mas h&aacute; mais; algo cuja percep&ccedil;&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil quando visto do alto dos c&eacute;us: homens e mulheres criados nada menos que &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus (cf. Gen 1, 26). No cora&ccedil;&atilde;o desta cria&ccedil;&atilde;o maravilhosa, estamos n&oacute;s: v&oacute;s e eu, a fam&iacute;lia humana &laquo;coroada de gl&oacute;ria e honra&raquo; (cf. Sal 8, 6). Que maravilha! Com o Salmista, sussurramos para Deus: &laquo;Que &eacute; o homem para Vos lembrardes dele?&raquo; (cf. Sal 8, 5). Imersos no sil&ecirc;ncio, num esp&iacute;rito de gratid&atilde;o, na for&ccedil;a da santidade, pomo-nos a refletir. <\/p>\n<p> E que descobrimos? Com relut&acirc;ncia talvez, mas chegamos a admitir que existem tamb&eacute;m feridas que desfiguram a superf&iacute;cie da terra: a eros&atilde;o, o desflorestamento, o esbanjamento dos recursos minerais e mar&iacute;timos para alimentar um consumismo insaci&aacute;vel. Alguns de v&oacute;s chegam das ilhas-Estado, que se v&ecirc;em amea&ccedil;adas na sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia pelo aumento do n&iacute;vel das &aacute;guas; outros de na&ccedil;&otilde;es que sofrem os efeitos de secas devastadoras. &Agrave;s vezes a cria&ccedil;&atilde;o maravilhosa de Deus &eacute; sentida quase como uma realidade hostil aos seus guardi&otilde;es, sen&atilde;o mesmo como algo perigoso. Como pode o que &eacute; &laquo;bom&raquo; aparecer assim t&atilde;o amea&ccedil;ador?<\/p>\n<p> E mais:Que dizer do homem, do v&eacute;rtice da cria&ccedil;&atilde;o de Deus? Todos os dias deparamos com o g&ecirc;nio das conquistas humanas. Devido aos avan&ccedil;os nas ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas e &agrave; s&aacute;bia aplica&ccedil;&atilde;o da tecnologia at&eacute; &agrave; criatividade que se espelha nas artes, cresce de muitos modos e constantemente a qualidade de vida para satisfa&ccedil;&atilde;o das pessoas. Em v&oacute;s mesmos, h&aacute; uma pronta disponibilidade para acolher as abundantes oportunidades que vos s&atilde;o oferecidas. Alguns sobressaem nos estudos, no desporto, na m&uacute;sica, ou na dan&ccedil;a e no teatro; outros t&ecirc;m um sentido agudo da justi&ccedil;a social e da &eacute;tica, sendo muitos os que assumem compromissos de servi&ccedil;o e de voluntariado. Todos n&oacute;s, jovens e idosos, temos momentos em que a bondade inata da pessoa humana &ndash; percept&iacute;vel talvez no gesto de uma crian&ccedil;a ou na disponibilidade de um adulto a perdoar &ndash; nos enche de profunda alegria e gratid&atilde;o.<\/p>\n<p> Mas tais momentos n&atilde;o duram muito. Por isso, levando por diante a nossa reflex&atilde;o, descobrimos que n&atilde;o &eacute; s&oacute; o ambiente natural que tem as suas cicatrizes, mas tamb&eacute;m o ambiente social, o habitat que n&oacute;s mesmos criamos; feridas essas que indicam que alguma coisa n&atilde;o est&aacute; certa. Tamb&eacute;m aqui, nas nossas vidas pessoais e nas nossas comunidades, podemos encontrar inimizades por vezes perigosas; um veneno que amea&ccedil;a corroer o que &eacute; bom, plasmar de modo diferente o que somos e alterar a finalidade para a qual fomos criados. Os exemplos n&atilde;o faltam, como bem sabeis. Entre os mais salientes, contam-se o abuso de &aacute;lcool e de drogas, a exalta&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e a degrada&ccedil;&atilde;o sexual, freq&uuml;entemente apresentados na televis&atilde;o e na internet como divertimento. Pergunto-me como algu&eacute;m, colocado face a face com pessoas que est&atilde;o realmente sofrendo viol&ecirc;ncia e explora&ccedil;&atilde;o sexual, poder&aacute; explicar que tais trag&eacute;dias, reproduzidas de forma virtual, devem considerar-se simplesmente como &laquo;divertimento&raquo;.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, h&aacute; algo de sinistro que nasce do fato de liberdade e toler&acirc;ncia serem tantas vezes separadas da verdade. Isto &eacute; alimentado pela id&eacute;ia, hoje largamente espalhada, de que n&atilde;o h&aacute; uma verdade absoluta para guiar as nossas vidas. Na pr&aacute;tica dando indiscriminadamente valor a tudo, o relativismo fez da &laquo;experi&ecirc;ncia&raquo; a coisa mais importante. Na realidade, as experi&ecirc;ncias, desligadas de qualquer considera&ccedil;&atilde;o do que &eacute; bom ou verdadeiro, podem conduzir, n&atilde;o a uma liberdade genu&iacute;na, mas a uma confus&atilde;o moral ou intelectual, a uma atenua&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios, &agrave; perda da auto-estima e mesmo ao desespero.<\/p>\n<p> Queridos amigos, a vida n&atilde;o &eacute; governada pela sorte, nem &eacute; casual. A vossa exist&ecirc;ncia pessoal foi querida por Deus, aben&ccedil;oada por Ele, tendo-lhe dado uma finalidade (cf. Gen 1, 28). A vida n&atilde;o &eacute; uma mera sucess&atilde;o de fatos e experi&ecirc;ncias, por mais &uacute;teis que muitos deles se possam revelar. Mas &eacute; uma busca da verdade, do bem e da beleza. &Eacute; precisamente para tal fim que fazemos as nossas op&ccedil;&otilde;es, exercemos a nossa liberdade e nisso mesmo, isto &eacute;, na verdade, no bem e na beleza, encontramos felicidade e alegria. N&atilde;o vos deixeis enganar por quantos vos olham como meros consumidores num mercado de possibilidades indiferenciadas, onde a escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabanda como beleza, e a experi&ecirc;ncia subjetiva suplanta a verdade.<\/p>\n<p> Cristo oferece mais&hellip; antes, oferece tudo! S&oacute; Ele, que &eacute; a Verdade, pode ser o Caminho e, conseq&uuml;entemente, tamb&eacute;m a Vida. Assim, o &laquo;caminho&raquo; que os Ap&oacute;stolos estenderam at&eacute; aos confins da terra &eacute; a vida em Cristo. &Eacute; a vida da Igreja. E a entrada nesta vida, na vida crist&atilde;, &eacute; o Batismo. \tPor isso, nesta tarde, desejo recordar-vos brevemente algo da nossa no&ccedil;&atilde;o do Batismo, antes de considerar amanh&atilde; o Esp&iacute;rito Santo. No dia do Batismo, Deus introduziu-vos na sua santidade (cf. 2 Ped 1, 4). Adotados como filhos e filhas do Pai, fostes incorporados em Cristo. Tornastes-vos morada do seu Esp&iacute;rito (cf. 1 Cor 6, 19). O Batismo n&atilde;o &eacute; um ato devido, nem uma recompensa: &eacute; uma gra&ccedil;a, &eacute; obra de Deus. Por isso, na parte final do rito do Batismo, o sacerdote, dirigindo-se aos vossos pais e demais participantes e chamando-vos pelo nome, disse: &laquo;&Eacute;s nova criatura&raquo; (Rito do Batismo, 99).<\/p>\n<p> Queridos amigos, em casa, na escola, na universidade, nos lugares de trabalho e de divers&atilde;o, recordai-vos que sois criaturas novas. N&atilde;o vos limiteis a viver cheios de assombro na presen&ccedil;a do Criador, alegrando-vos pelas suas obras, mas tende presente que o alicerce seguro da solidariedade humana est&aacute; na origem comum de toda a pessoa, o v&eacute;rtice do des&iacute;gnio criador de Deus sobre o mundo. Como crist&atilde;os, encontrais-vos neste mundo sabendo que Deus tem um rosto humano: Jesus Cristo, o &laquo;caminho&raquo; que satisfaz todo o anseio humano e a &laquo;vida&raquo; da qual somos chamados a dar testemunho, caminhando sempre na sua luz (cf. ibid., 100).<\/p>\n<p> A tarefa de testemunha n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Hoje, h&aacute; muitos que pretendem que Deus deva ficar de fora e que a religi&atilde;o e a f&eacute;, embora aceit&aacute;veis no plano individual, devam ser exclu&iacute;das da vida p&uacute;blica ou ent&atilde;o utilizadas somente para alcan&ccedil;ar determinados objetivos pragm&aacute;ticos. Esta perspectiva secularizada procura explicar a vida humana e plasmar a sociedade com pouco ou nenhum referimento ao Criador. Apresenta-se como uma for&ccedil;a neutral, imparcial e respeitadora de todos e cada um. Na realidade, por&eacute;m, como qualquer ideologia, o secularismo imp&otilde;e uma vis&atilde;o global. Se Deus &eacute; irrelevante na vida p&uacute;blica, ent&atilde;o a sociedade poder&aacute; ser plasmada segundo uma imagem alheada de Deus, e o debate e a pol&iacute;tica relativos ao bem comum ser&atilde;o conduzidos mais &agrave; luz das conseq&uuml;&ecirc;ncias que dos princ&iacute;pios radicados na verdade.<\/p>\n<p> A experi&ecirc;ncia, por&eacute;m, demonstra que o afastamento do des&iacute;gnio de Deus criador provoca uma desordem com inevit&aacute;veis repercuss&otilde;es sobre o resto da cria&ccedil;&atilde;o (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz 1990, 5). Quando Deus fica eclipsado, come&ccedil;a a esmorecer a nossa capacidade de reconhecer a ordem natural, o fim e o &laquo;bem&raquo;. Aquilo que fora pomposamente exaltado como engenho humano, bem depressa se manifestou como loucura, avidez e explora&ccedil;&atilde;o ego&iacute;sta. E assim fomo nos consciencializando cada vez mais da necessidade de humildade perante a delicada complexidade do mundo de Deus.<\/p>\n<p> E que dizer do nosso ambiente social? Permanecemos igualmente alerta quanto aos sinais do nosso voltar as costas &agrave; estrutura moral de que Deus dotou a humanidade (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2007, 8)? Sabemos reconhecer que a dignidade inata de cada indiv&iacute;duo assenta na sua dignidade mais profunda de imagem do Criador e que, por isso mesmo, os direitos humanos s&atilde;o universais, baseados sobre a lei natural, e n&atilde;o algo dependente de negocia&ccedil;&otilde;es ou de condescend&ecirc;ncia, e menos ainda de compromissos? Deste modo somos levados a refletir sobre o lugar que t&ecirc;m nas nossas sociedades os pobres, os idosos, os imigrantes, os sem voz. Como &eacute; poss&iacute;vel que a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica atormente tantas m&atilde;es e crian&ccedil;as? Como &eacute; poss&iacute;vel que o espa&ccedil;o humano mais admir&aacute;vel e sagrado, o ventre materno, se tenha tornado lugar de viol&ecirc;ncia indiz&iacute;vel?<\/p>\n<p> Queridos amigos, a cria&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute; &uacute;nica e &eacute; boa. As preocupa&ccedil;&otilde;es com a n&atilde;o viol&ecirc;ncia, o progresso sustent&aacute;vel, a justi&ccedil;a e paz, o cuidado do nosso ambiente s&atilde;o de import&acirc;ncia vital para a humanidade. Tudo isto, por&eacute;m, n&atilde;o pode ser compreendido prescindindo duma reflex&atilde;o profunda sobre a dignidade cong&ecirc;nita de cada vida humana desde a sua concep&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte natural, uma dignidade que lhe &eacute; conferida pelo pr&oacute;prio Deus e, por conseguinte, inviol&aacute;vel. O nosso mundo est&aacute; cansado da ambi&ccedil;&atilde;o, da explora&ccedil;&atilde;o e da divis&atilde;o, do t&eacute;dio de falsos &iacute;dolos e de respostas parciais, e da m&aacute;goa de falsas promessas. O nosso cora&ccedil;&atilde;o e a nossa mente anelam por uma vis&atilde;o da vida onde reine o amor, onde os dons sejam partilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu pr&oacute;prio significado na verdade, e onde a identidade seja encontrada numa comunh&atilde;o respeitosa. Esta &eacute; obra do Esp&iacute;rito Santo. Esta &eacute; a esperan&ccedil;a oferecida pelo Evangelho de Jesus Cristo. Foi para dar testemunho desta realidade que fostes regenerados no Batismo e fortalecidos com os dons do Esp&iacute;rito no Crisma. Seja esta a mensagem que de Sidney levareis pelo mundo!<\/p>\n<p>  [Mi rivolgo ora con affetto ai giovani di lingua italiana. Cari amici, anche questa volta avete risposto numerosi al mio invito, nonostante le difficolt&agrave; dovute alla distanza. Vi ringrazio, e voglio salutare anche i vostri coetanei che dall&rsquo;Italia sono spiritualmente uniti a noi. Vi invito a vivere con grande impegno interiore queste giornate: aprite il cuore al dono dello Spirito Santo, per essere rafforzati nella fede e nella capacit&agrave; di rendere testimonianza al Signore risorto. Arrivederci!<\/p>\n<p>  Chers jeunes francophones, pouss&eacute;s par le d&eacute;sir d&rsquo;approfondir votre foi, vous &ecirc;tes venus des extr&eacute;mit&eacute;s de la terre pour vivre &agrave; Sydney l&rsquo;exp&eacute;rience unique et communautaire d&rsquo;une rencontre privil&eacute;gi&eacute;e avec le Seigneur. C&rsquo;est l&rsquo;Esprit Saint qui vous a rassembl&eacute;s ici. Puisse-t-Il vous permettre de exp&eacute;rimenter sa pr&eacute;sence dans votre c&oelig;ur et vous pousser &agrave; rendre t&eacute;moignage avec ardeur de J&eacute;sus-Christ mort et ressuscit&eacute; pour vous!]<\/p>\n<p>  Liebe Freunde, die ihr mich in meiner Muttersprache versteht, von Herzen gr&uuml;&szlig;e ich euch alle. Erweist euch &uuml;berall als freudige Zeugen der frohmachenden Botschaft Jesu! Sprecht mutig von eurem Glauben, auch wenn ihr zuweilen auf Widerspruch st&ouml;&szlig;t und das Kreuz der Ablehnung erf&auml;hrt. Der Herr, der f&uuml;r uns ein gr&ouml;&szlig;eres Kreuz getragen hat, wird euch beistehen. Gott schenke euch eine gute, gesegnete Zeit hier in Australien.<\/p>\n<p>  Queridos j&oacute;venes de lengua espa&ntilde;ola, la misi&oacute;n de ser testigos del Se&ntilde;or en todos los lugares de la tierra es una apasionante tarea, que exige acoger su Palabra e identificarse con &Eacute;l, compartiendo con los dem&aacute;s la alegr&iacute;a de haber encontrado al verdadero amigo que nunca defrauda. Que este reto agrande vuestra generosidad. Un saludo muy cordial a todos.]<\/p>\n<p>  Queridos amigos dos v&aacute;rios pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa, bem-vindos a Sidney! A todos sa&uacute;do com afecto: os de perto e os de longe. L&aacute;, na vossa P&aacute;tria, tereis ouvido Jesus segredar-vos: &laquo;Sereis minhas testemunhas&hellip; at&eacute; aos confins do mundo&raquo; (Act 1, 8). A viagem mais ou menos longa que enfrentastes para chegar at&eacute; aqui, &agrave; Austr&aacute;lia ou &ndash; de seu nome crist&atilde;o completo &ndash; &laquo;Terra Austral do Esp&iacute;rito Santo&raquo;, n&atilde;o deixou em v&oacute;s a sensa&ccedil;&atilde;o de terdes chegado aos confins do mundo? Pois bem! &Eacute; com grande alegria que o Papa vos acolhe para vos confirmar como testemunhas de Jesus, por Ele acreditadas com o dom do seu pr&oacute;prio Esp&iacute;rito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos jovens, Que grande alegria &eacute; para mim poder saudar-vos aqui em Barangaroo, nas margens desta magn&iacute;fica ba&iacute;a de Sidney, com a sua famosa ponte e a Opera House! 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