{"id":14262,"date":"2008-05-09T21:00:00","date_gmt":"2008-05-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/?p=14262"},"modified":"2014-08-15T17:59:57","modified_gmt":"2014-08-15T20:59:57","slug":"carta-vaticana-para-jornada-de-oracao-pela-santificacao-dos-sacerdotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/cobertura\/carta-vaticana-para-jornada-de-oracao-pela-santificacao-dos-sacerdotes\/","title":{"rendered":"Carta vaticana para Jornada de Ora\u00e7\u00e3o pela Santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Publicamos a carta enviada pelo cardeal Cl&aacute;udio Hummes, o.f.m. e pelo arcebispo Mauro Piacenza, presidente e secret&aacute;rio da Congrega&ccedil;&atilde;o vaticana para o Clero, por ocasi&atilde;o da Jornada Mundial de Ora&ccedil;&atilde;o pela Santifica&ccedil;&atilde;o dos Sacerdotes, que ser&aacute; celebrada em 30 de maio, festa do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus. <\/p>\n<p><strong> Reverendos e queridos irm&atilde;os no Sacerd&oacute;cio<\/strong><\/p>\n<p> Na Festa do Sant&iacute;ssimo Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, fixamos, com incessante olhar de amor, os olhos da nossa mente e do nosso cora&ccedil;&atilde;o em Cristo, &uacute;nico Salvador das nossas exist&ecirc;ncias e do Mundo. P&ocirc;r-se em rela&ccedil;&atilde;o com Cristo significa p&ocirc;r-se em rela&ccedil;&atilde;o  com aquele Rosto que cada homem, conscientemente ou n&atilde;o, procura como &uacute;nica resposta adequada &agrave; pr&oacute;pria insuprim&iacute;vel sede de felicidade. <\/p>\n<p> Este Rosto, n&oacute;s encontr&aacute;mo-l&rsquo;O e, naquele dia, naquele momento, o Seu Amor feriu de tal modo o nosso cora&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o pudemos deixar de pedir incessantemente para estar na Sua Presen&ccedil;a. &laquo;Pela manh&atilde;, Senhor, ouvis a minha voz, mal nasce o dia exponho o meu pedido e aguardo ansiosamente&raquo; (Salmo 5). <\/p>\n<p> A Sagrada Liturgia conduz-nos de novo e ainda a contemplar o Mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo, origem e realidade &iacute;ntima desta companhia que &eacute; a Igreja: o Deus de Abra&atilde;o, de Isaac e de Jacob revela-Se em Jesus Cristo. &laquo;Ningu&eacute;m teria podido ver a Sua Gl&oacute;ria, se primeiro n&atilde;o tivesse sido curado da humildade da carne. Foste cegado pelo p&oacute;, e com o p&oacute; foste curado: a carne tinha-te cegado, a carne cura-te&raquo; (Santo Agostinho, Coment&aacute;rio ao Evangelho de Jo&atilde;o, Homilia 2, 16). <\/p>\n<p> S&oacute; olhando de novo para a perfeita e fascinante humanidade de Jesus Cristo, Vivo e actuante agora, que a n&oacute;s Se revelou e que agora se inclina ainda sobre cada um de n&oacute;s com aquele amor de total predilec&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; pr&oacute;prio, &eacute; poss&iacute;vel deixar que Ele ilumine e preencha o abismo de necessidade que &eacute; a nossa humanidade, na certeza da Esperan&ccedil;a encontrada, na certeza da Miseric&oacute;rdia que abra&ccedil;a os nossos limites, ensinando-nos a perdoar tudo o que de n&oacute;s pr&oacute;prios n&atilde;o nos consegu&iacute;amos nem sequer aperceber. &laquo;O abismo chama outro abismo no fragor das vossas cataratas&raquo; (Salmo 41). <br \/> Gostaria, por ocasi&atilde;o do habitual Dia de Ora&ccedil;&atilde;o pela Santifica&ccedil;&atilde;o dos Sacerdotes, que se celebra na Festa do Sant&iacute;ssimo Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, recordar a prioridade da ora&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; a&ccedil;&atilde;o, porque dela depende a incisividade da a&ccedil;&atilde;o. Da rela&ccedil;&atilde;o pessoal de cada um com o Senhor Jesus, depende em grande medida a miss&atilde;o da Igreja. Portanto, a miss&atilde;o deve ser alimentada pela ora&ccedil;&atilde;o: &laquo;Chegou o momento de reafirmar a import&acirc;ncia da ora&ccedil;&atilde;o face ao ativismo e ao secularismo dominante&raquo; (Bento XVI, Deus caritas est, 37). N&atilde;o nos cansemos de haurir da Sua Miseric&oacute;rdia, de O deixar ver e curar as chagas dolorosas do nosso pecado para ficarmos estupefatos diante do milagre, sempre novo, da nossa humanidade remida. <\/p>\n<p> Car&iacute;ssimos irm&atilde;os, sejamos peritos da Miseric&oacute;rdia de Deus em n&oacute;s e, s&oacute; assim, seus instrumentos ao abra&ccedil;ar, de modo sempre novo, a humanidade ferida. &laquo;Cristo n&atilde;o nos salva da nossa humanidade, mas atrav&eacute;s dela; n&atilde;o nos salva do mundo mas veio ao mundo para que o mundo seja salvo por Ele (cf. Jo 3, 17)&raquo; (Bento XVI, Mensagem Urbi et Orbi, 25 de Dezembro de 2006). Por fim, somos presb&iacute;teros pelo Ato mais elevado da Miseric&oacute;rdia de Deus e ao mesmo tempo da Sua predile&ccedil;&atilde;o, o Sacramento da Ordem. <\/p>\n<p> Em segundo lugar, na insuprim&iacute;vel e ardente sede d&rsquo;Ele, a dimens&atilde;o mais aut&ecirc;ntica do nosso Sacerd&oacute;cio &eacute; a s&uacute;plica, a ora&ccedil;&atilde;o simples e cont&iacute;nua, que se aprende na ora&ccedil;&atilde;o silenciosa; ela caracterizou sempre a vida dos Santos e deve ser pedida incessantemente. Esta consci&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o com Ele &eacute; quotidianamente submetida &agrave; purifica&ccedil;&atilde;o da prova. Todos os dias, de novo, nos apercebemos que este drama n&atilde;o &eacute; poupado nem sequer a n&oacute;s, Ministros que agem in Persona Christi Capitis: n&atilde;o podemos viver um s&oacute; momento na Sua presen&ccedil;a, sem o doce anseio por reconhec&ecirc;-l&rsquo;O, conhec&ecirc;-l&rsquo;O e aderir de novo a Ele. N&atilde;o cedamos &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de olhar para o nosso ser Sacerdotes como para um inevit&aacute;vel e indeleg&aacute;vel peso, j&aacute; assumido, o qual se pode cumprir &laquo;mecanicamente&raquo;, at&eacute; com um programa pastoral organizado e coerente. O Sacerd&oacute;cio &eacute; a voca&ccedil;&atilde;o, o caminho, o modo atrav&eacute;s do qual Cristo nos salva, com o qual nos chamou, e nos chama agora, a viver com Ele. <\/p>\n<p> A &uacute;nica medida adequada, face &agrave; nossa Santa Voca&ccedil;&atilde;o, &eacute; a radicalidade. Esta total dedica&ccedil;&atilde;o, na consci&ecirc;ncia da nossa infidelidade, pode realizar-se s&oacute; como uma renovada e orante decis&atilde;o que, depois, Cristo realiza dia ap&oacute;s dia. O pr&oacute;prio dom do celibato sacerdotal deve ser acolhido e vivido nesta dimens&atilde;o de radicalidade e de total configura&ccedil;&atilde;o com Cristo. Qualquer outra posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade da rela&ccedil;&atilde;o com Ele, corre o perigo de se tornar ideol&oacute;gica. <\/p>\n<p> Tamb&eacute;m a quantidade, por vezes extraordinariamente grande, de trabalho que as condi&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas de minist&eacute;rio exigem que enfrentemos, longe de nos desencorajar, deve estimular-nos a cuidar, com ainda maior aten&ccedil;&atilde;o, a nossa identidade sacerdotal, a qual tem uma raiz irredutivelmente divina. Neste sentido, numa l&oacute;gica oposta &agrave; do mundo, precisamente as particulares condi&ccedil;&otilde;es do minist&eacute;rio, nos devem estimular a &laquo;elevar a qualidade&raquo; da nossa vida espiritual, testemunhando com mais convic&ccedil;&atilde;o e efic&aacute;cia, a nossa perten&ccedil;a exclusiva ao Senhor. <\/p>\n<p> Para a total dedica&ccedil;&atilde;o somos educados por Quem nos amou primeiro. &laquo;Fiz-me encontrar por quem n&atilde;o Me procurava. Disse: &ldquo;Eis-me&rdquo; a quem n&atilde;o pronunciava o Meu Nome&raquo;. O lugar da totalidade por excel&ecirc;ncia &eacute; a Eucaristia, porque: &laquo;na Eucaristia Jesus n&atilde;o &ldquo;d&aacute; algo&rdquo; mas a Si mesmo; Ele oferece o Seu Corpo e derrama o Seu Sangue. Desta forma doa a totalidade da Pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, revelando a fonte origin&aacute;ria deste amor&raquo; (Sacramentum caritatis, 7). <\/p>\n<p> Sejamos fi&eacute;is, irm&atilde;os car&iacute;ssimos, &agrave; Celebra&ccedil;&atilde;o quotidiana da Sant&iacute;ssima Eucaristia, n&atilde;o s&oacute; para cumprir uma tarefa pastoral ou uma exig&ecirc;ncia da comunidade que nos est&aacute; confiada, mas pela necessidade pessoal absoluta que dela sentimos, como de respirar, como da luz para a nossa vida, como a &uacute;nica raz&atilde;o adequada para uma exist&ecirc;ncia presbiteral completa. <\/p>\n<p> O Santo Padre, na exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal Sacramentum caritatis, reprop&otilde;e-nos com vigor a afirma&ccedil;&atilde;o de Santo Agostinho: &laquo;Ningu&eacute;m come desta Carne sem primeiro ador&aacute;-l&rsquo;A; pecar&iacute;amos se n&atilde;o a ador&aacute;ssemos&raquo; (Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos 98, 9). N&atilde;o podemos viver, n&atilde;o podemos olhar para a verdade de n&oacute;s pr&oacute;prios, sem deixarmos que Cristo olhe para n&oacute;s e nos gere na Adora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica quotidiana, e o &laquo;Stabat&raquo; de Maria, &laquo;Mulher Eucar&iacute;stica&raquo;, aos p&eacute;s da Cruz de Seu Filho, &eacute; o exemplo mais significativo que nos &eacute; dado da contempla&ccedil;&atilde;o e da adora&ccedil;&atilde;o do Sacrif&iacute;cio divino. <\/p>\n<p> Assim como a missionariedade &eacute; intr&iacute;nseca &agrave; pr&oacute;pria natureza da Igreja, tamb&eacute;m a nossa miss&atilde;o &eacute; &iacute;nsita na identidade sacerdotal, e portanto a urg&ecirc;ncia mission&aacute;ria &eacute; uma quest&atilde;o de consci&ecirc;ncia de n&oacute;s pr&oacute;prios. A nossa identidade sacerdotal &eacute; edificada e renovada dia ap&oacute;s dia no &laquo;tempo transcorrido&raquo; com nosso Senhor. A rela&ccedil;&atilde;o com Ele, continuamente alimentada na  ora&ccedil;&atilde;o permanente, tem como conseq&uuml;&ecirc;ncia imediata a necessidade de tornar part&iacute;cipes dela quantos nos circundam. De fato, a santidade que pedimos quotidianamente, n&atilde;o pode ser concebida segundo uma est&eacute;ril e abstrata acep&ccedil;&atilde;o individualista, mas &eacute;, necessariamente, a santidade de Cristo, a qual &eacute; contagiosa, para todos: &laquo;O estar em comunh&atilde;o com Jesus Cristo compromete-nos no Seu &ldquo;ser para todos&rdquo;, faz o nosso modo de ser&raquo; (Bento XVI, Spe salvi, 28). <br \/> Este &laquo;ser para todos&raquo; de Cristo realiza-se, para n&oacute;s, nos Tria Munera  dos quais somos revestidos pela pr&oacute;pria natureza do Sacerd&oacute;cio. Eles, constituem a inteireza do nosso Minist&eacute;rio, n&atilde;o s&atilde;o o lugar da aliena&ccedil;&atilde;o ou, pior ainda, de uma mera adapta&ccedil;&atilde;o funcionalista da nossa pessoa mas a express&atilde;o mais verdadeira do nosso ser de Cristo; s&atilde;o o lugar da rela&ccedil;&atilde;o com Ele. O Povo que nos est&aacute; confiado, para que seja por n&oacute;s educado, santificado e governado, n&atilde;o &eacute; uma realidade que nos distrai da &laquo;nossa vida&raquo;, mas &eacute; o rosto de Cristo que quotidianamente contemplamos, como para o esposo o rosto da sua amada, como para Cristo a Igreja Sua Esposa.O Povo que nos est&aacute; confiado &eacute; o caminho imprescind&iacute;vel para a nossa santidade, isto &eacute;, o caminho no qual Cristo manifesta a Gl&oacute;ria do Pai atrav&eacute;s de n&oacute;s. <\/p>\n<p> &laquo;Se a quem escandaliza um s&oacute; e o mais pequenino conv&eacute;m que lhe seja atada ao pesco&ccedil;o uma pedra de moinho e seja lan&ccedil;ado no mar [&#8230;] ent&atilde;o aos que mandam em perdi&ccedil;&atilde;o [&#8230;] um povo inteiro o que devem sofrer e que castigo devem receber?&raquo; (S&atilde;o Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, De Sacerdotio VI, 1498). Face &agrave; consci&ecirc;ncia de t&atilde;o grave tarefa e a uma responsabilidade t&atilde;o grande para a nossa vida e salva&ccedil;&atilde;o, na qual a fidelidade a Cristo coincide com a &laquo;obedi&ecirc;ncia&raquo; &agrave;s exig&ecirc;ncias ditadas pela reden&ccedil;&atilde;o daquelas almas, n&atilde;o se deve minimamente duvidar da gra&ccedil;a recebida. Podemos unicamente pedir para cedermos o mais poss&iacute;vel ao Seu Amor, a fim de que Ele aja atrav&eacute;s de n&oacute;s, porque ou deixamos que Cristo salve o mundo agindo em n&oacute;s, ou ent&atilde;o corremos o risco de trair a pr&oacute;pria natureza da nossa voca&ccedil;&atilde;o. A medida da dedica&ccedil;&atilde;o, queridos irm&atilde;os, &eacute; de novo e ainda a totalidade. &laquo;Cinco p&atilde;es e dois peixes&raquo; n&atilde;o s&atilde;o muito, &eacute; verdade, mas s&atilde;o tudo! A Gra&ccedil;a de Deus faz de toda a nossa insufici&ecirc;ncia, a Comunh&atilde;o que sacia o Povo de Deus. Desta &laquo;total dedica&ccedil;&atilde;o&raquo;, participam especialmente os sacerdotes idosos ou doentes os quais, quotidianamente, exercem o minist&eacute;rio divino, unindo-se &agrave; paix&atilde;o de Cristo e oferecendo a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia presbiteral, para o verdadeiro bem da Igreja e para a salva&ccedil;&atilde;o das almas. <\/p>\n<p> Por fim, fundamento imprescind&iacute;vel de toda a vida sacerdotal, permanece a Santa M&atilde;e de Deus. A rela&ccedil;&atilde;o com ela n&atilde;o pode limitar-se a uma pr&aacute;tica devocional piedosa mas deve ser alimentada pela entrega cont&iacute;nua, nos bra&ccedil;os da sempre Virgem, de toda a nossa vida, do nosso minist&eacute;rio na sua totalidade. Maria Sant&iacute;ssima reconduz de novo tamb&eacute;m a n&oacute;s, como a Jo&atilde;o, aos p&eacute;s da Cruz do Seu Filho e nosso Senhor, para contemplar, com ela, o Amor infinito de Deus: &laquo;Veio ao mundo a nossa Vida, a Vida verdadeira; assumiu a nossa morte para a vencer com a superabund&acirc;ncia da Sua Vida&raquo; (Santo Agostinho, Confessiones IV, 12). <\/p>\n<p> Deus Pai escolheu, como condi&ccedil;&atilde;o para a nossa reden&ccedil;&atilde;o, para o cumprimento da nossa humanidade, para o Acontecimento da Encarna&ccedil;&atilde;o do Filho, aguardar o &laquo;Fiat&raquo; de uma Virgem perante o an&uacute;ncio do anjo. Cristo decidiu confiar, por assim dizer, a pr&oacute;pria Vida &agrave; liberdade amorosa da M&atilde;e: &laquo;Com o conceber Cristo, ger&aacute;-lo, aliment&aacute;-lo, apresent&aacute;-lo ao Pai no templo, sofrer com o seu Filho morto na Cruz, ela cooperou de modo totalmente especial para a obra do Salvador, com a obedi&ecirc;ncia, a f&eacute;, a esperan&ccedil;a e a caridade fervorosa, a fim de restabelecer a vida sobrenatural das almas. Por isso foi para n&oacute;s a m&atilde;e na ordem da gra&ccedil;a&raquo; (Lumen gentium, 61). <\/p>\n<p> O Papa S&atilde;o Pio X afirmava: &laquo;Cada voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal vem do cora&ccedil;&atilde;o de Deus, mas passa atrav&eacute;s do cora&ccedil;&atilde;o de uma m&atilde;e&raquo;. Isto &eacute; verdadeiro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; evidente maternidade biol&oacute;gica mas tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao &laquo;parto&raquo; de cada fidelidade &agrave; Voca&ccedil;&atilde;o de Cristo. N&atilde;o podemos prescindir de uma maternidade espiritual para a nossa vida sacerdotal: recomendemo-nos confiantes &agrave; ora&ccedil;&atilde;o de toda a Santa M&atilde;e Igreja, &agrave; maternidade do Povo, do qual somos os pastores, mas ao qual est&aacute; tamb&eacute;m confiada a nossa guarda e santidade; pe&ccedil;amos este apoio fundamental. <\/p>\n<p> Queridos irm&atilde;os, apresenta-se a urg&ecirc;ncia de &laquo;um movimento de ora&ccedil;&atilde;o que ponha no centro a Adora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica cont&iacute;nua, no espa&ccedil;o das vinte e quatro horas, de forma que de todas as partes da terra, se eleve sempre a Deus, uma ora&ccedil;&atilde;o de adora&ccedil;&atilde;o, de agradecimento, de louvor, de pedido e repara&ccedil;&atilde;o, com a finalidade principal de suscitar um n&uacute;mero suficiente de santas voca&ccedil;&otilde;es para o estado sacerdotal e, ao mesmo tempo, de acompanhar espiritualmente &ndash; no n&iacute;vel do Corpo M&iacute;stico -, com uma esp&eacute;cie de maternidade espiritual quantos j&aacute; foram chamados ao sacerd&oacute;cio ministerial e est&atilde;o ontologicamente conformados com o &uacute;nico Sumo e Eterno Sacerdote, para que sirvam cada vez melhor a Ele e aos irm&atilde;os, como aqueles que, ao mesmo tempo, est&atilde;o &ldquo;na&rdquo; Igreja mas, tamb&eacute;m &ldquo;diante&rdquo; da Igreja (cf. Jo&atilde;o Paulo II, Pastores dabo vobis, 16) fazendo as vezes de Cristo e, representando-o, como cabe&ccedil;a, pastor e esposo da Igreja&raquo; (Carta da Congrega&ccedil;&atilde;o para o Cleto, 8 de Dezembro de 2007). <\/p>\n<p> Delineia-se, por fim, uma ulterior forma de maternidade espiritual, que acompanhou sempre silenciosamente, na hist&oacute;ria da Igreja, a eleita multid&atilde;o sacerdotal: trata-se da entrega concreta do nosso minist&eacute;rio a um rosto determinado, a uma alma consagrada, que seja chamada por Cristo e, portanto, escolha oferecer-se a si mesma, os sofrimentos necess&aacute;rios e as fadigas inevit&aacute;veis da vida, para interceder a favor da nossa exist&ecirc;ncia sacerdotal, vivendo deste modo na doce presen&ccedil;a de Cristo. <\/p>\n<p> Uma tal maternidade, na qual se encarna o rosto amoroso de Maria, deve ser pedida na ora&ccedil;&atilde;o, porque s&oacute; Deus a pode suscitar e apoiar. N&atilde;o faltam exemplos admir&aacute;veis neste sentido; pensemos nas l&aacute;grimas ben&eacute;ficas de Santa M&oacute;nica pelo filho Agostinho, pelo qual chorou &laquo;mais do que choram as m&atilde;es pela morte f&iacute;sica dos filhos&raquo; (Santo Agostinho, Confessiones III, 11). Outro fascinante exemplo &eacute; o de Eliza Vaughan, a qual deu &agrave; luz e confiou ao Senhor treze filhos; dos oito filhos var&otilde;es, seis foram sacerdotes, e das cinco filhas, quatro foram religiosas. Dado que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ser verdadeiramente mendigos diante de Cristo, maravilhosamente escondido no Mist&eacute;rio Eucar&iacute;stico, sem saber pedir concretamente a ajuda efectiva e a ora&ccedil;&atilde;o que Ele coloca ao nosso lado, n&atilde;o tenhamos receio de nos confiar &agrave;s maternidades que, certamente, o Esp&iacute;rito suscita para n&oacute;s. <\/p>\n<p> Santa Teresa do Menino Jesus, consciente da necessidade extrema  de ora&ccedil;&atilde;o por todos os sacerdotes, sobretudo pelos t&iacute;bios, escreve numa carta dirigida &agrave; irm&atilde; Celina: &laquo;Vivamos para as almas, sejamos ap&oacute;stolas, salvemos sobretudo as almas dos sacerdotes [&#8230;]. Rezemos, soframos por eles e, no &uacute;ltimo dia, Jesus ser&aacute; grato&raquo; (Santa Teresa de Lisieux, Carta 94). <\/p>\n<p> Confiemos &agrave; intercess&atilde;o da Virgem Santa Rainha dos Ap&oacute;stolos, M&atilde;e dulc&iacute;ssima, olhando com Ela para Cristo, na cont&iacute;nua tens&atilde;o para ser totalmente, radicalmente Seus; esta &eacute; a nossa identidade! <\/p>\n<p> Recordemos as palavras do Santo Cura d&rsquo;Ars, Padroeiro dos P&aacute;rocos: &laquo;Se eu j&aacute; tivesse um p&eacute; no C&eacute;u e se me viessem dizer para voltar para a terra a fim de trabalhar na convers&atilde;o dos pecadores, voltaria de bom grado. E se para isto fosse necess&aacute;rio permanecer na terra at&eacute; ao fim do mundo, levantando-me sempre &agrave; meia-noite, e sofresse como sofro, estaria disposto a faz&ecirc;-lo de cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (Fr&egrave;re Athanase, Proc&egrave;s de l&rsquo;Ordinaire, p. 883). <\/p>\n<p> O Senhor guie e proteja todos e cada um, de modo especial os doentes e os que mais sofrem, na oferenda constante da nossa vida por amor. <\/p>\n<p><strong> Cl&aacute;udio Cardeal Hummes<\/strong><br \/> Prefeito<\/p>\n<p><strong> Mauro Piacenza<\/strong><br \/> Arcebispo Titular de Vittoriana<br \/> Secret&aacute;rio<\/p>\n<p>  <strong>Ora&ccedil;&atilde;o do Sacerdote<\/strong><\/p>\n<p> Senhor, v&oacute;s me chamaste ao minist&eacute;rio sacerdotal<br \/> em um momento concreto da hist&oacute;ria no qual, <br \/> como nos primeiros tempos apost&oacute;licos, <br \/> quereis que todos os crist&atilde;os, <br \/> e de modo especial os sacerdotes, <br \/> sejam testemunhas das maravilhas de Deus<br \/> e da for&ccedil;a do vosso Esp&iacute;rito. <br \/> Fazei que eu tamb&eacute;m seja testemunha da diginidade da vida humana, <br \/> da grandeza do amor<br \/> e do poder do minist&eacute;rio recebido: <br \/> tudo isso com o meu peculiar estilo de vida a v&oacute;s entregue<br \/> por amor, s&oacute; por amor e por um amor grand&iacute;ssimo. <br \/> Fazei que minha vida celibat&aacute;ria<br \/> seja a afirma&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;sim&rdquo;, gozoso e alegre, <br \/> que nasce da entrega a v&oacute;s<br \/> e da dedica&ccedil;&atilde;o total ao pr&oacute;ximo<br \/> a servi&ccedil;o de vossa Igreja. <br \/> Dai-me for&ccedil;a em minhas fraquezas<br \/> E tamb&eacute;m gratid&atilde;o em minhas vit&oacute;rias. <br \/> M&atilde;e Imaculada, que destes o mais grandioso e maravilhoso &ldquo;sim&rdquo; <br \/> de todos os tempos, <br \/> que eu saiba converter minha vida quotidiana<br \/> em fonte de generosidade e entrega, <br \/> e junto a v&oacute;s, <br \/> aos p&eacute;s das grandes cruzes do mundo, <br \/> associai-me a dor redentora da morte de vosso Filho, <br \/> para gozar com Ele do triunfo da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o<br \/> para a vida eterna. Am&eacute;m<\/p>\n<p> <strong>Ora&ccedil;&atilde;o que os sacerdotes podem recitar todos os dias<\/strong><\/p>\n<p> Deus onipotente, que a Tua gra&ccedil;a nos ajude, para que n&oacute;s, que recebemos o minist&eacute;rio sacerdotal, possamos servir-Te de maneira digna e com devo&ccedil;&atilde;o, com toda pureza e reta consci&ecirc;ncia. E se n&atilde;o conseguirmos dispor a vida com t&atilde;o grande inoc&ecirc;ncia, todavia nos concede chorar dignamente pelo mal que fizemos e servir-Te fervorosamente com o esp&iacute;rito de humildade e com o prop&oacute;sito de boa vontade. Por Cristo, nosso Senhor. <br \/>Am&eacute;m. <\/p>\n<p> <strong>Invoca&ccedil;&atilde;o:<\/strong><\/p>\n<p> Oh! Bom Jesus, faze com que eu seja sacerdote segundo o Teu cora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p> <strong>Ora&ccedil;&atilde;o a Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<p> Just&iacute;ssimo Jesus, Tu que com extraordin&aacute;ria bondade me chamaste, entre milheiros de homens, &agrave; Tua seq&uuml;ela e &agrave; sublime dignidade sacerdotal, concede-me, pe&ccedil;o-Te, a Tua divina for&ccedil;a para que eu possa cumprir corretamente o meu minist&eacute;rio. Imploro-Te, Senhor Jesus, faze reviver em mim, hoje e sempre, a Tua gra&ccedil;a, que me foi dada pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os do bispo. Oh! Potent&iacute;ssimo m&eacute;dico das almas, cura-me de tal modo que n&atilde;o recaia nos v&iacute;cios, que me tenha afastado de todo pecado e que possa agradar-Te at&eacute; a minha morte. <br \/>Am&eacute;m. <\/p>\n<p><strong>Ora&ccedil;&atilde;o para implorar a gra&ccedil;a de proteger a castidade<span><\/span><\/strong><\/p>\n<p> Senhor Jesus Cristo, esposo da minha alma, deleite do meu cora&ccedil;&atilde;o, ou melhor, meu cora&ccedil;&atilde;o e minha alma, prostro-me diante de Ti de joelhos, rezando-Te e suplicando-Te com todo o meu fervor para que me concedas preservar a f&eacute; que me deste de modo solene. Por isso, dulc&iacute;ssimo Jesus, que eu rejeite toda impiedade, seja sempre contr&aacute;rio aos desejos carnais e &agrave;s concupisc&ecirc;ncias terrenas, que atacam a alma e que, com a Tua ajuda, eu conserve &iacute;ntegra a castidade. <\/p>\n<p> Oh! Sant&iacute;ssima e imaculada Virgem Maria, Virgem das virgens e M&atilde;e nossa amant&iacute;ssima, purifica todos os dias o meu cora&ccedil;&atilde;o e a minha alma, pede para mim o temor ao Senhor e pede particularmente pouca confian&ccedil;a nas minhas pr&oacute;prias for&ccedil;as. <\/p>\n<p> S&atilde;o Jos&eacute;, protetor da virgindade de Maria, protege a minha alma de todo pecado. <\/p>\n<p> Todas v&oacute;s, Virgens Santas que seguem, onde quer que seja, o Cordeiro de Deus, sede sempre sol&iacute;citas em rela&ccedil;&atilde;o a mim, pecador, para que n&atilde;o peque, em pensamentos, palavras e obras e nunca me afaste do cast&iacute;ssimo cora&ccedil;&atilde;o de Jesus. <br \/>Am&eacute;m. <\/p>\n<p> <strong>Ora&ccedil;&atilde;o pelos Sacerdotes<\/strong><\/p>\n<p> Senhor Jesus, presente no Sant&iacute;ssimo Sacramento do Altar, <br \/> que vos quisestes perpetuar entre n&oacute;s<br \/> por meio de vossos sacerdotes, <br \/> fazei com que suas palavras sejam somente as vossas, <br \/> que seus gestos sejam os vossos, <br \/> que sua vida seja o fiel reflexo da vossa. <br \/> Que eles sejam os homens que falem a Deus dos homens<br \/> e falem aos homens de Deus. <br \/> Que n&atilde;o tenham medo de servir, <br \/> servindo a Igreja como ela quer ser servida. <br \/> Que sejam homens, testemunhas do eterno nosso tempo, <br \/> caminhando pelas estradas da hist&oacute;ria com vosso mesmo passo<br \/> e fazendo o bem a todos. <br \/> Que sejam fi&eacute;is aos seus compromissos, <br \/> zelosos de sua voca&ccedil;&atilde;o e de sua entrega, <br \/> claros reflexos da pr&oacute;pria identidade<br \/> e que vivam com alegria o dom recebido. <br \/> Tudo isso vos pe&ccedil;o pela intercess&atilde;o de vossa M&atilde;e Sant&iacute;ssima: <br \/> ela que esteve presente em vossa vida, <br \/> esteja sempre presente na vida dos vossos sacerdotes. <br \/>Am&eacute;m<\/p>\n<p>  <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicamos a carta enviada pelo cardeal Cl&aacute;udio Hummes, o.f.m. e pelo arcebispo Mauro Piacenza, presidente e secret&aacute;rio da Congrega&ccedil;&atilde;o vaticana para o Clero, por ocasi&atilde;o da Jornada Mundial de Ora&ccedil;&atilde;o pela Santifica&ccedil;&atilde;o dos Sacerdotes, que ser&aacute; celebrada em 30 de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":114,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"modified_by":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14262"}],"collection":[{"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/114"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14262"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14262\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14263,"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14262\/revisions\/14263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/admin-canais.cancaonova.com\/eventos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}